26.7.06

A pressa em se despedir é desejo de permanecer mais um pouco.

Eu me porto assim diante do amor. Preciso do cotovelo no meu braço. Da mão na minha cintura, de um abraço no pescoço. Não que eu não saiba, terei que confessar: não sei mesmo, amor não se sabe, amor se pressente. É uma indefinição contente e, ao mesmo tempo, assustadora. A pressa em se despedir é desejo de permanecer mais um pouco. O que era passageiro, o que era para ser mais um esquecimento, o que era para ser mais uma noite para dormir transforma-se em obsessão de sonhar, acordar, cuidar e voltar, em obsessão de estar presente e arrumar todos os motivos e subterfúgios para não pensar em outra coisa. Aperta uma vontade de conversar sobre a história com todo mundo que se encontra, com o carteiro, com o bancário, com o jornaleiro, com os passageiros do trem. Falar do amor para que ele aumente ou para que diminua. Para que ele suma ou nos dê confiança de tomar atitudes improváveis e delicadas, mas o amor não se conta nem pro melhor amigo. Vamos atrás de um fiador. Só que o amor não aceita caução. É uma encruzilhada colocar a casa para fora da boca. Abrir-se. Expor-se de tal modo que não se pode retornar ao que julgávamos nossa vida, ao que acreditávamos nosso lar, ao que confiávamos como nossas convicções e nossa ordem. Como confessar uma paixão e depois fingir que isso não mexeu com a gente e retomar o trabalho e a disciplina dos dias como se fosse comum? Antes impessoal, o amor se agarra a um nome e não mais nos pertence. É irrecuperável porque depende de um sim ou de um não. Quando dito, irá embora sem acenar. Não descobriremos que estamos doentes, descobriremos que não temos cura. Amor não nos fortalece, enfraquece. Ficamos indigentes à espera de um beijo, de um telefonema, de uma mensagem. O amor muda o nosso passado. Sofreremos com a incerteza do que a pessoa dirá ou fará. Usam-se palavras emprestadas para não ser direto. Encontram-se motivos alheios à verdade para não se entregar. O amor não seria tão sério se não houvesse a possibilidade dele se converter em uma comédia. Mas a comédia não é levar um fora, comédia é a covardia de não se declarar e antecipar sozinho os risos que seriam bem melhores acompanhado...

Um comentário:

Vivis disse...

plac, plac, plac....

Dificil o amor neh... eu tb acho...

concordo plenamente com vc...

O amor dói!!!! mais é maravilhoso!!!

bjkssss