Lilypie 6th to 18th Ticker

3.10.06

Brazilian Spring



KIT PRIMAVERA COLORIDA
pra quem ainda não tem, clique aqui

29.9.06

O Rato de Roma...


Só pra me descontrair
e não ficar pensando:
que eu poderia estar lá,
mas estou aqui...

25.9.06

Quando Você Me Olha


Teu olhar é uma luz no fim do túnel
Teu sorriso é sossego
Teu abraço é calor no fim de junho
Teu colo meu aconchego
Eu me esqueço em seus braços
Se deixar nem me lembro
Meu tempo, meu espaço
Meu mais seguro esconderijo
Teu olhar meu mundo protegido
protegido
Meu medo vai embora
Se você, se você me olha
Meu medo vai embora
Quando você me olha
Meu medo vai embora
Se você, se você me olha
Meu medo vai embora
Quando você me olha
Luciana Mello

20.9.06

mandamentos que sigo a risca


simplificar
não exagerar os sentimentos
arriscar
não seguir os mandamentos
vivenciar
não mitificar os pensamentos
assimilar
não condecorar os ferimentos
reinventar
não copiar aos sete ventos
amamentar
não aprisionar os seus rebentos
uma mulher adulta
só conhece bons momentos.
Martha Medeiros

14.9.06

Nenhum vento


Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir.
Seneca

11.9.06

pessoas sem imaginação

"As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas...
Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou.
Uma vida não basta apenas ser vivida:
também precisa ser sonhada."
(Mário Quintana - Caderno H, pág. 166)

Gustavo & Gabriela


10.9.06

Então, eu te amo, mas não espalha.

O amor não é uma verdade, muito menos uma mentira. Corresponde a uma descoberta inventada. Descobre-se um sentimento que a gente inventou. Inventar é permitir que cresça a empatia, que a paixão se instale, que faça sentido, que até se aborreça de não ter chegado antes. No amor, ninguém entra sem pedir licença. Ninguém entra sem a concordância do outro, ainda que involuntária. Ninguém entra sem um "amém", um "obrigado", um "estava esperando", uma saudade, um aceno, uma necessidade. Mas amar é justamente não ter certeza. Não encerrar o assunto. Ama-se aos bocados, não ama-se como um pacote turístico, com passagens, hotéis e passeios orientados. Amor é sofrer a inexistência do amor. Combater com mais amor o que está se esgotando. Amor é reconhecer a possível ausência do amor em alguma hora e recomeçar. É identificar a condição de já ter sido mais forte e remar violento com a boca em direção ao fundo. Nadar na alegria do desespero. Houve dias que ninguém me amou. Houve dias em que eu não amei. Mas houve dias em que meu marido me amou em dobro, que meu filho me amou em dobro, que eu amei como se você estivesse em meus braços.

4.9.06

Feijoada no paraíso


Traz contos sobre a história do lendário capoeirista Besouro, ícone da cultura popular baiana, entre os séculos XIX e XX. O texto equilibrado entre as convenções da escrita e o ritmo da fala consegue encantar o leitor assim como um capoeirista busca encantar seu adversário.
Imperdível.

31.8.06

Todo amor


Obrigada homens da minha vida,
por todo amor que puderam me dar,
e que eu sempre achei pouco
.

27.8.06

como me dizem teus olhos...

Porque eu te amo num desesperado recomeço de agruras, numa plenitude de maré incerta e vazante, eu te digo que a mim não bastam os anos, as palavras benditas, não basta a língua tão longe das feridas ou um naufrágio a muitos metros da superfície. Porque eu te amo pequena e límpida como água na concha das mãos, pousada sobre teus lábios, cônscia de tua sede, eu sei que tu me inventaste os prumos, os rumos, as vertentes, tu me puseste os olhos, tu me fundaste o ventre. Porque eu te amo em estilhaços e rompantes, nos rasgos da carne, no roçar dos dentes, no ar pouco entre as bocas urgentes, na aflição dos pecados, eu te quero no descanso dos braços, no enrodilhar desarcertado das pernas e num tanto de insanidade para compensar a espera. Porque eu te amo imensa e lasciva, fêmea, vulva, viva, impregnada dos teus sumos, grande e alta como me fazem teus gestos, como me dizem teus olhos, como me ensina teu corpo, eu sou tantas, sou de mim a fome, a insaciedade premente, a felicidade absurda de me encontrar inteira dentro do teu peito dentro do meu sonho e de, por isso, me saber para sempre incompleta. Porque te amo, tanto, e mais, e contudo, que te amo e emudeço aos gritos do sol fugidio no teu rosto.

25.8.06

Mais vale um pássaro na mão......do que dois voando?


Se por um lado temos necessidade de segurança para viver com conforto, por outro precisamos nos expor aos perigos das aventuras para evoluir – e voar mais alto...


Sim, a segurança é um conforto, e todos gostamos de conforto. Mas ele é a entressafra da aventura, e não o contrário. Nenhum sábio se refere à vida como um conforto, e sim como uma aventura. A fabulosa aventura de se viver. A vida está mais para incerta e insegura do que para dogmática e confortável.

E assim é a vida, com suas maravilhosas possibilidades. Segurança e aventura são dois componentes do humano, duas faces da mesma moeda, dois momentos de uma mesma vida. O sonho da liberdade só se realiza quando abrimos a mão para agarrá- lo, o que nos deixa suspensos no ar por algum tempo, como um acrobata. Só que este não flutua no vazio porque é um inconseqüente, e sim porque é um especialista.Preparou-se duramente para tal aventura.

Um pássaro na mão só é melhor que dois voando quando não acreditamos na possibilidade de alcançá-los. Para que acreditemos temos que construir essa crença e, para tanto, precisamos sonhar, pensar em estratégias e exercitar nossos talentos.

23.8.06

Quem tu viste, bem-te-vi?

BEM-TE-VI. É um pássaro cujo canto é como se ele estivesse dizendo seu próprio nome, avisando que alguém dele se aproxima. O bem-te-vi anuncia visitas. Quando uma pessoa está perto o bem-te-vi cantando, costuma perguntar: - "Quem tu viste, bem-te-vi? Homem ou mulher?". Se o passarinho cantar logo depois da pergunta, a visita é de homem; mas se demorar a cantar, a visita é de mulher.

17.8.06

na contra-mão

Eu te vi, bem-te-vi
mas você nem me viu...

Me leva pra seu bangalô

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão
Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutos em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonho semeando o mundo real
Toda gente cabe lá
Palestina, Shangri-lá
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar
Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

Vilarejo - Marisa Monte

12.8.06

Deu tudo certo


Deu tudo certo. Meu coração está tranquilo. Essa semana foi boa para eu descobrir como eu amo as pessoas que estão ao meu lado. Eu me sinto bem, leve, amada, feliz, eu me sinto muito feliz por descobrir que eu consegui mesmo fazer bem para alguém. Eu consegui fazer alguém feliz. Eu tô muito feliz... e pra embalar, ''Casa Pré-fabricada'' - Marcelo Camelo:

Abre os teus armários eu estou a te esperar,
Para ver deitar o sol sobre os teus braços, castos
Cobre a culpa vã, até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo
Canta que é no canto que eu vou chegar
Canta o teu encanto que é pra me encantar
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca
Mais vale o meu pranto que este canto em solidão
Nesta espera o mundo gira em linhas tortas
Abre essa janela a Primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota
Canto que é de canto que eu vou chegar
Canto e toco um tanto que é pra te encantar
Canto para mim, qualquer coisa assim sobre você
Que explique a minha paz, tristeza nunca mais

11.8.06

Lindo Mundo

Amar com coragem


Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem: que ele não ame com coragem. Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos, jogar futebol no sábado com os amigos, soltar gargalhada de hiena, pentear-se com franjinha, ter pêlos nas costas e no pescoço, usar palito de dente, trocar os talheres de um momento para outro. Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem. Amar com coragem não é viver com coragem. É bem mais do que estar aí. Amar com coragem não é questão de estilo, de gosto, de opinião. Não se adquire com a família, surge de uma decisão solitária. Amar com coragem é caráter. Vem de uma obstinação que supera a lealdade. Vem de uma incompetência de ser diferente. Amar para valer, para dar torcicolo. Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar, para fugir, para não nadar até o começo do corpo. Não usar atenuantes como "estou confuso". Não se diminuir com a insegurança, mas se aumentar com a insegurança. Não se retrair perante os pais. Não desmarcar um amor pela amizade. Não esquecer de comentar pelo receio de ser incompreendido. Não esquecer de repetir pela ânsia da claridade. Amar como se não houvesse tempo de amar. Amar esquisito, de lado, ainda amar. Amar atrasado, com a respiração antecipando o beijo. Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes. Amar decidido, obcecado, como quem troca de identidade e parte a um longo exílio. Amar como quem volta de um longo exílio. Amar com sofreguidão, não adiando o que é véspera. Amar não disfarçando as mãos, amar com os fantoches das mangas. Amar como uma canoa engatinha na margem, árvore deitada de bruços. Amar quase que por desforra, por bebedeira, amar sem dizer por que ama. Amar desavisado, com vírgula entre o sujeito e o verbo. Amar desatinado, pressionando a amar mais, a amar mais do que é possível lembrar. Amar com coragem, só isso.

7.8.06

SEI LÁ...


Hoje, comemorando meus 3.4, muito bem vividos (como disse a jana),
pensando na vida, amores, dúvidas, partidas, acabei com um "sei lá... sei lá..."
e foi inevitável: A vida tem sempre razão.
Há tempos, nem me lembrava dessa música.
E agora, me ocorre uma coisa:
Quem disse, que só é possível filosofar em alemão?
Ah... em ritmo de samba, não só é possível, como é muito melhor!
No mais, só sei que é preciso paixão!

Sei lá... a vida tem sempre razão(Toquinho/Vinícius)
Toquinho_e_Vinicius&opcao=umcd#" target=_blank>Ouça aqui
Tem dias que eu fico pensando na vida E sinceramente não vejo saída. Como é, por exemplo, que dá pra entender: A gente mal nasce, começa a morrer.
Depois da chegada vem sempre a partida,Porque não há nada sem separação. Sei lá, sei lá, a vida é uma grande ilusão. Sei lá, sei lá, só sei que ela está com a razão.
A gente nem sabe que males se apronta.Fazendo de conta, fingindo esquecer Que nada renasce antes que se acabe, E o sol que desponta tem que anoitecer.
De nada adianta ficar-se de fora. A hora do sim é o descuido do não. Sei lá, sei lá, só sei que é preciso paixão. Sei lá, sei lá, a vida tem sempre razão.

3.8.06

Espanha - 2

Renfe - Trem Madrid - Valência

Espanha - 1


"Madrid - Estação Atocha"

31.7.06

só uma piscada



Vem cá, que eu tenho uma coisinha pra te dar, vem.
Manifesto sem tesão. A pedidos das hormoniosas que me cercam. Pânico. Não sabem ser amigos das mulheres. Não sabem brincar. Olha lá aquela planta carnívora, venenosa e faminta. Areia movediça. Piscada, abraço, que perfume bom, uma coisa à toa, só um charme. Leveza para o dia. Bitolados. Sei, ela tá dando em cima de mim. Embaixo de mim e de ladinho. Só essas três, esse tipo nem imagina outra série. Buuuu, olha o bicho papão. Ter amigo evita infarto. Mocinhas virgens do interior (ui) balbuciam gaguejantes: epa, eu sou casado, pára com isso.
da amiga Rubya Rubi, do Harmoniosas

29.7.06

Para minha professora

CONVERSA SÉRIA

Gravura de Magritte

Basta improvisar com o que somos, não com o que temos.

26.7.06

A pressa em se despedir é desejo de permanecer mais um pouco.

Eu me porto assim diante do amor. Preciso do cotovelo no meu braço. Da mão na minha cintura, de um abraço no pescoço. Não que eu não saiba, terei que confessar: não sei mesmo, amor não se sabe, amor se pressente. É uma indefinição contente e, ao mesmo tempo, assustadora. A pressa em se despedir é desejo de permanecer mais um pouco. O que era passageiro, o que era para ser mais um esquecimento, o que era para ser mais uma noite para dormir transforma-se em obsessão de sonhar, acordar, cuidar e voltar, em obsessão de estar presente e arrumar todos os motivos e subterfúgios para não pensar em outra coisa. Aperta uma vontade de conversar sobre a história com todo mundo que se encontra, com o carteiro, com o bancário, com o jornaleiro, com os passageiros do trem. Falar do amor para que ele aumente ou para que diminua. Para que ele suma ou nos dê confiança de tomar atitudes improváveis e delicadas, mas o amor não se conta nem pro melhor amigo. Vamos atrás de um fiador. Só que o amor não aceita caução. É uma encruzilhada colocar a casa para fora da boca. Abrir-se. Expor-se de tal modo que não se pode retornar ao que julgávamos nossa vida, ao que acreditávamos nosso lar, ao que confiávamos como nossas convicções e nossa ordem. Como confessar uma paixão e depois fingir que isso não mexeu com a gente e retomar o trabalho e a disciplina dos dias como se fosse comum? Antes impessoal, o amor se agarra a um nome e não mais nos pertence. É irrecuperável porque depende de um sim ou de um não. Quando dito, irá embora sem acenar. Não descobriremos que estamos doentes, descobriremos que não temos cura. Amor não nos fortalece, enfraquece. Ficamos indigentes à espera de um beijo, de um telefonema, de uma mensagem. O amor muda o nosso passado. Sofreremos com a incerteza do que a pessoa dirá ou fará. Usam-se palavras emprestadas para não ser direto. Encontram-se motivos alheios à verdade para não se entregar. O amor não seria tão sério se não houvesse a possibilidade dele se converter em uma comédia. Mas a comédia não é levar um fora, comédia é a covardia de não se declarar e antecipar sozinho os risos que seriam bem melhores acompanhado...

3.7.06

"Fantástica Fábrica de Chocolate"



AMSTERDÃ - Empresários e autoridades de Amsterdã anunciaram nesta quinta-feira que a capital da Holanda vai ganhar um parque temático dedicado ao chocolate e inspirado no livro infantil "Charlie e a Fábrica de Chocolate", de Roald Dahl. Exatamente como a fictícia "Fábrica de Chocolate" de Willy Wonka, criada pelo escritor, a parte principal do "parque dos doces"' será subterrânea, localizada num túnel ferroviário desativado cedido pela prefeitura de Amsterdã.
Previsto para ser aberto ao público dentro de dois ou três anos, o parque terá um elevador de vidro e uma fonte de chocolate, exatamente como no livro. Além disso, vai produzir chocolate, embora em quantidades pequenas.- Há dez anos eu criei uma peça de rádio sobre 'Charlie e a Fábrica de Chocolate', e desde então fiquei fascinado pela história - contou o editor de audiolivros Maurits Rubinstein, idealizador do projeto.São responsáveis pelo projeto a prefeitura de Amsterdã e a construtora holandesa BAM. A obra vai custar 20 milhões de euros, dinheiro levantado em parte com a venda de títulos que pais e avós podem comprar para seus filhos e netos.
Amsterdã é o maior porto importador de cacau do mundo. A cidade processa cerca de 30% do cacau produzido no planeta, vindo de países como Gana e Equador, e fornece o ingrediente básico do chocolate, a pasta de cacau, usado pelos maiores fabricantes de chocolate da Europa.
A capital holandesa também é o lugar onde, na década de 1820, Coenraad Johannes van Houten inventou a prensa hidráulica de cacau, que possibilitou a produção do chocolate comestível (até então só existia o chocolate em pó, para uso culinário e em bebidas). Van Houten também criou o processo conhecido como ''dutching'', pelo qual é produzido um pó de cacau de sabor leve e que se mistura mais facilmente com a água.

29/06/2006 - 21h11m Reuters

2.7.06

em comum nós somos...

Espetáculo...


Vamos exorcizar nossa decepção por conta desse espetáculo deprimente.
Vamos exercitar o nosso ódio ao Roberto Carlos, que além de ser o maior mascarado da face da Terra ainda foi capaz de ficar ajeitando as meias e deixar o Henry fazer o gol que ajudou a desclassificar o time. Digo ajudou porque o que nos derrubou foi a junção da auto-indulgência dos nossos jogadores com a vontade de vencer e a seriedade do selecionado francês.

A França mereceu vencer e o Brasil foi derrotado com toda justiça.

1.7.06

Seja amante, ame.


Descubra a parte do corpo que exala o perfume mais forte. Será o ponto de maior excitação. Use a respiração como voz. Não atalhe, não abrevie, não resolva. Mas avance e recue. Faça o que mais quer para logo mudar de idéia. Volte atrás como quem deixou de lado algo importante. Não pense muito, apenas o suficiente para não ser refém do seu corpo. Assista a si mesmo mais do que atuar. Namore as regiões com mais vergonha. No fundo, a vergonha é discreta vaidade. Não ataque, converse pelas mãos, pelo olhar, conserve a atmosfera sem as mãos. Defenda-se para mostrar sua vulnerabilidade. Escute o que o outro não disse. Não tenha pudor. Fome é desejo. Exponha-se. Acaricie as costas dela com a cabeça e o rosto e os dedos, mais e mais. Concentre-se na dispersão. Não banque o sério, pois entedia. Combine tranqüilidade com insegurança. Despiste sua movimentação. Quanto maior a espera, maior será a eletricidade. Não aguarde respostas rápidas. Desprendimento é diferente de descompromisso. É doação. Não durma depois nem se afaste com pressa. Continuem se beijando mansamente.

Pecado? Pecado foi o de eva. O meu foi um grande prazer! Mairy Sarmanho

Tatuagem

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva
Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

Chico Buarque

30.6.06

Presente pro quartinho novo da Marina


Bonita em rosa mas...

minha pele é uma espécie de pêssego
meus olhos são de um azul esverdeado
meu cabelo é uma espécie de dourado
mas é loiro quando molhado
Mas todas as cores lindas dentro de mim
ainda não foram inventadas!

28.6.06

Escolhas: a doce angústia


Toda escolha é composta de 7 atitudes
(que podem acontecer num momento e em seqüência):

1) saber que existe opção;
2) entender o que está sendo proposto e o que significa essa opção;
3) tomar consciência do risco que se corre, porque há sempre algo que se abandona;
4) o olhar interno para as duas possibilidades;
5) a decisão de optar, que é sempre mesclada com a tentação de desistir,
o que não acontece antes que se decida, embora não se perceba isso;

6) o ato de escolher;
7) o assumir das conseqüências.

Juntando tudo e simplificando, uma coisa é certa: se você sair na chuva vai ter que se molhar. O que faz toda a diferença não está no ficar molhado e sim no que vai se fazer depois: aproveitar para lavar a alma ou recolher-se a um canto, tremendo de medo de ficar resfriado. Eis porque o filósofo francês Jean Paul Sartre dizia que o homem está ‘‘condenado à liberdade’’, na certeza de que ao ser humano é impossível renunciar à escolha, sob pena de anular-se e deixar de fazer parte da condição humana, já que mesmo não agindo estamos praticando uma escolha. Logo, somos heróis e prisioneiros do mesmo destino. Não é fantástico esse entendimento, por mais duro que possa parecer aos duvidosos ou àqueles que querem jogar para outros o seu próprio destino?

Aos amigos do Coral Bebê

24.6.06

NÃO HÁ DE QUÊ



... Só é triste quem não mistura os fatos com as impressões.
Toque-me na perna, no pescoço, o braço ficará arrepiado e será um acontecimento. Toque-me na memória e vou me encontrar mais do que me pertenci. Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente.
Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar o ritmo ao calor da música. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível...