28.12.07

Com a palavra, meu sogro!

Não confie na pessoa que...

A vida é uma grande e eficiente professora, que nos ensina o que não encontramos nos livros. Cheia de paciência, ela me dá aulas até hoje. Obrigado, professora Vida, muito obrigado! Graças à senhora, eu deixei de errar dezenas de vezes, embora as suas lições se mostrem freqüentemente amargas e joguem, em nossa alma, o peso da tristeza e da desilusão. Quanta coisa eu aprendi com esta professora severa... Os seus ensinamentos ficaram logo registrados na minha memória, não precisei decorá-los. Eis alguns deles: Não confie na pessoa que ao apertar a sua mão, você tem a impressão de estar segurando algo bem mole, escorregadio e pegajoso como um sapo. Isto revela, se a pessoa não é doente, se não sofre de anêmia, uma alma frouxa, inconfiável. Não confie na pessoa cujo olhar é vago ou inquieto, agitado. Criaturas assim são volúveis ou traiçoeiras. Podemos aceitar esses dois tipos de olhares com uma condição: se quem os exibe é míope e não usa óculos, ou se é vítima de um esgotamento nervoso. Não confie na pessoa que volta e meia costuma lhe dizer: “falaram mal de você e eu o defendi”. Quase sempre tal pessoa é invejosa, covarde e perversa. No fundo ela gostaria de ter o que você tem, e como não consegue, passa a recorrer aos baixos expedientes, às torpes sinuosidades das almas feitas de excremento. Não confie na pessoa que só se aproxima de você por interesse, nos seus momentos felizes, de sucesso, e logo se afasta quando você enfrenta a má sorte. Estas pessoas – é o “óbvio ululante” do Nelson Rodrigues – são tão falsas como as esmeraldas falsas de Fernão Dias Pais Leme e só merecem o nosso nojo, o nosso absoluto desprezo. Lembre-se desta frase do filósofo francês Paul Janet (1823-1899), autor dos Principes de métaphysique et de psychologie: “Para que uma intenção seja moralmente boa, é mister que não seja interesseira”. (“Pour qu’une intention soit bonne moralement, il faut qu’elle ne soit pas intéressée”) Não confie na pessoa que podendo cumprir a sua palavra, não a cumpre, apesar de ter garantido que a cumpriria. Quem procede desta maneira fornece uma prova indiscutível de completa falta de caráter, de real canalhice. Evite-as, pois essas pessoas emporcalham ainda mais o nosso mundo imundo, no qual, como disse o poeta Salomão Jorge, meu pai, “Aquele que trouxer o amor e a luz, Se for Sócrates, beberá cicuta, Se for Cristo, morrerá na cruz”.
Não confie na pessoa em cujos olhos você vê o brilho viperino de inveja. Esta irradia os fluidos do capeta e pode arruinar a sua vida. Se um invejoso afirma ser seu amigo sincero, não acredite, fuja dele do modo mais rápido possível. A inveja é a máscara de Satanás. O invejoso se alegra com as suas derrotas, meu caro leitor, e se sente infeliz com as suas vitórias. Possui um destrutivo olho gordo, capaz de nos ferir, de nos levar à desgraça, como certas pessoas, através de um simples olhar, causam a morte das plantas. Já vi isto e concordo com Raimundo Lulio (1235-1315), escritor místico catalão, que declarou no Llibre de mil proverbis: “A inveja mata continuamente o invejoso”. (“Envejós, sa enveja lo anciu tot dià”)
Não confie nos que maltratam crianças ou animais, como cães e gatos. Torturar uma criança, suprema abjeção, é querer castigar a inocência, a pureza, o mundo antes do pecado. Victor Hugo salientou que “quando a criança nos olha, Deus nos sonda”. E quem bate em cães e gatos, em qualquer animal, ostenta a alma podre dos assassinos sádicos, é capaz de cometer sorrindo, deliciando-se, as maiores infâmias, as mais monstruosas crueldades.

criado por Fernando Jorge

FOTOLIVRO: Escapada para Bariloche

14.12.07

Coisas fOfas!

esses são os fOfOs Murilo & Danilo, da querida prima Kátia.
créditos no DSB

essa é a minha família, sempre comemorando!
créditos no
DSB

6.12.07

Pérolas

Recolheremos ao colo e ao seio cada erro e o trataremos como nosso filho mais querido. Desviaremos das balas perdidas. Perderemos pessoas amadas nestas estradas estropiadas. Perderemos amizades nos caminhos tortuosos que escolhemos. Ganharemos resistência, persistência. Perderemos alguma inteligência para podermos sentir. Aprenderemos a brincar. Vamos amar mais e temer mais o sol. Para um tanto inevitável de ranzinzisse, cuidaremos de adicionar dois tantos leves de humor. Vamos rir mais, por mais tempo. Vamos ter pressa mas seremos pacientes. Seremos pasto da medicina. Seremos o sofá velho dos mais novos. Que sejamos confortáveis. Que sejamos doces conosco mesmos.

Décio Mello


Natal na minha casa é sempre no mínimo seis ou sete vezes mais divertido do que em qualquer outro lugar. Começamos a beber cedo. E enquanto todo mundo vê um só Papai Noel, nós vemos seis ou sete.

W.C. Fields

Meu primeiro LO de Natal 2007