30.6.06

Presente pro quartinho novo da Marina


Bonita em rosa mas...

minha pele é uma espécie de pêssego
meus olhos são de um azul esverdeado
meu cabelo é uma espécie de dourado
mas é loiro quando molhado
Mas todas as cores lindas dentro de mim
ainda não foram inventadas!

28.6.06

Escolhas: a doce angústia


Toda escolha é composta de 7 atitudes
(que podem acontecer num momento e em seqüência):

1) saber que existe opção;
2) entender o que está sendo proposto e o que significa essa opção;
3) tomar consciência do risco que se corre, porque há sempre algo que se abandona;
4) o olhar interno para as duas possibilidades;
5) a decisão de optar, que é sempre mesclada com a tentação de desistir,
o que não acontece antes que se decida, embora não se perceba isso;

6) o ato de escolher;
7) o assumir das conseqüências.

Juntando tudo e simplificando, uma coisa é certa: se você sair na chuva vai ter que se molhar. O que faz toda a diferença não está no ficar molhado e sim no que vai se fazer depois: aproveitar para lavar a alma ou recolher-se a um canto, tremendo de medo de ficar resfriado. Eis porque o filósofo francês Jean Paul Sartre dizia que o homem está ‘‘condenado à liberdade’’, na certeza de que ao ser humano é impossível renunciar à escolha, sob pena de anular-se e deixar de fazer parte da condição humana, já que mesmo não agindo estamos praticando uma escolha. Logo, somos heróis e prisioneiros do mesmo destino. Não é fantástico esse entendimento, por mais duro que possa parecer aos duvidosos ou àqueles que querem jogar para outros o seu próprio destino?

Aos amigos do Coral Bebê

24.6.06

NÃO HÁ DE QUÊ



... Só é triste quem não mistura os fatos com as impressões.
Toque-me na perna, no pescoço, o braço ficará arrepiado e será um acontecimento. Toque-me na memória e vou me encontrar mais do que me pertenci. Não existe escombro que não possa servir de pedra novamente.
Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar.
Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras.
Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar o ritmo ao calor da música. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível...